Eu sempre pensei que os dias difíceis seriam os dias especiais. Onde a ausência mais seria notada, a falta seria em dobro por que todos têm ao lado quem desejam desejam compartilhar aquele momento especial.

Besteira!

O pior dia é o dia comum. Por que é quando você esquece, por um segundo, que aquela pessoa não está lá e se permite viver a futilidade mais banal do dia e, então, você sente uma súbita vontade de compartilhar qualquer trivialidade cotidiana e... Lembra que está só. Percebe que não tem que te ouça e, aí e somente aí, o verdadeiro luto da perda atinge seu ponto mais alto.

É nesse momento que cavaleiros se perdem nas trevas da incerteza, que cruzam a linha do desespero e dobram seus joelhos, abaixam suas espadas e perdem seu orgulho. Agora nenhum orgulho importa. Honrarias, qualidade vitórias... Nada disso tem significado quando você não pode compartilhá-las.

Hoje eu senti, em um sonho besta, a impedosa sensação de ausência. Como se você sempre estivesse aqui e, de repente, uma notícia de que não está mais muda tudo. E vendo um pequeno presente que comprei certa vez pensando "ela vai adorar isso", me fez lembrar que ele jamais chegaria ao seu destino, o gesto morreu sem cumprir o seu propósito e com ele qualquer nesga de dignidade que eu poderia ter. Foi só um sonho mas foi tão real que eu senti como sempre foi a realidade que, de algum jeito, eu escolhi como parte da vida e nunca me doeu desse jeito.

Vivi incontráveis perdas de estrelas que me guiavam quando perdido na noite incerta e segui. Agora, fui abalado por um mero vislumbre, um devaneio noturno: a hipótese da perda de alguém tão repentinamente que o caminho de volta pra casa já faria sentido. Um maldito e tosco sonho.

E foi assim que eu percebi que o dia mais difícil é o hoje. O maldito dia comum que compõe a maior parte da minha existência e, quando ele perde seu significado, então nada mais importa.


Por um momento.

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