A cada momento eu voltava a ser mais eu. O sangue, que há muito não se manifestava, tornava a preencher as minhas veias com um torpor tão delirante que o ar que entrava parecia sufocante e o que saía, necessário. Os pensamentos gritavam fatos e lembranças que eu não queria pensar ou lembrar. O Sol recusava-se a se pôr apontando seu imenso calor diretamente a mim, tudo parecia um tortura.
  Tentava ocupar minha cabeça com números, fórmulas, filosofias ou simples vazio mas não durava muito. Puder afirmar, com plenas certeza, que o horizonte se afastava tanto quando eu avançava. Me via a beira de um abismo, pronto para pular e voar ou morrer. Com certeza não iria voar, tampouco morrer, mas com certeza iria pular pronto para receber toda insanidade que ali se escondia. Os meus olhos já eram vermelhos e curtos, as sombracelhas grossas e os ombros curvados por costas cansadas e braços, que outrora foram fortes e firmes, hoje caídos.
  Eu voltava a ser eu, e esse era o menor dos meus problemas.  [ talvez até mesmo a solução ]

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