Perdoar-me-ai por ser quem sou, depois de tudo que fiz até onde cheguei?
Quem quiser atirar pedras, que atire. Quem quiser cuspir, que cuspa. Quem quiser defenestrar, abalar, reclamar, zombar, enfurecer, devanear, se despedir ou se vingar, que faça. E leve o tempo que precisar, pois este é o tempo do farelos que recolho após jogar migalhas.
Ainda há de se dizer que, decerto, existem mil e um motivos para que não hajam lágrimas: e para minha surpresa elas realmente não existem. Ou pelo menos não escorrem, mas meu espírito chora. Chora por um mal maior que o acomete, cora por vergonha de ter meditado em frente a um espelho e contemplado a si mesmo. Não sou nenhum exemplo a ser seguido.
Existe uma compilação de memórias em ordem cronológica, em ordem de relevância e em ordem de profundidade que me surge em cada piscar de olhos. A água que me esfria, se esvai. Parece ter a fonte, secado. O fogo que me aquece e cria, parece distante. Não há mais o combustível necessário. O ar que respiro parece fluir de bom grado. Acho que é para me manter vivo. E a terra que me permitiu criar raízes, agora me dá um solo seco e frio, onde meus pés se soltam e a cada leve brisa eu me dobro. Assim como dobrei a alguém que me deu tudo, e eu não retribuí com nada.
Peço e rogo, que a cada dia, eu me lembre das minhas escolhas e tenha a oportunidade de um dia me redimir de todas elas. Que no Dia Eterno eu ainda guarde as lembranças da minha aurora nascente da manhã da vida. E que meu Meio Dia seja a mais firme lembrança do bobo que fui, e do homem que me tornei. A noite que precede o dia do descanso ainda está longe e eu vou caminhar sozinho, já que não posso correr. Que este dia fique eternizado nas estrelas que se erguem alto no céu.
Já é Meia Noite, a hora em que os dragões choram e cantam.
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