Eu sempre pensei que os dias difíceis seriam os dias especiais. Onde a ausência mais seria notada, a falta seria em dobro por que todos têm ao lado quem desejam desejam compartilhar aquele momento especial.

Besteira!

O pior dia é o dia comum. Por que é quando você esquece, por um segundo, que aquela pessoa não está lá e se permite viver a futilidade mais banal do dia e, então, você sente uma súbita vontade de compartilhar qualquer trivialidade cotidiana e... Lembra que está só. Percebe que não tem que te ouça e, aí e somente aí, o verdadeiro luto da perda atinge seu ponto mais alto.

É nesse momento que cavaleiros se perdem nas trevas da incerteza, que cruzam a linha do desespero e dobram seus joelhos, abaixam suas espadas e perdem seu orgulho. Agora nenhum orgulho importa. Honrarias, qualidade vitórias... Nada disso tem significado quando você não pode compartilhá-las.

Hoje eu senti, em um sonho besta, a impedosa sensação de ausência. Como se você sempre estivesse aqui e, de repente, uma notícia de que não está mais muda tudo. E vendo um pequeno presente que comprei certa vez pensando "ela vai adorar isso", me fez lembrar que ele jamais chegaria ao seu destino, o gesto morreu sem cumprir o seu propósito e com ele qualquer nesga de dignidade que eu poderia ter. Foi só um sonho mas foi tão real que eu senti como sempre foi a realidade que, de algum jeito, eu escolhi como parte da vida e nunca me doeu desse jeito.

Vivi incontráveis perdas de estrelas que me guiavam quando perdido na noite incerta e segui. Agora, fui abalado por um mero vislumbre, um devaneio noturno: a hipótese da perda de alguém tão repentinamente que o caminho de volta pra casa já faria sentido. Um maldito e tosco sonho.

E foi assim que eu percebi que o dia mais difícil é o hoje. O maldito dia comum que compõe a maior parte da minha existência e, quando ele perde seu significado, então nada mais importa.


Por um momento.

Hoje faz 4 anos que sou técnico oficialmente. Mas também fazem 4 anos que o preço daquela formatura se fez alto de mais.
Não gosto muito de falar disso aqui, não é o melhor local mas o fato é que eu mal dormi e nem sabia o motivo. Acordei com um peso na mente e não fazia ideia do por quê, nem sabia que data era até olhar o whattsapp e ver a lembrança de um amigo.

Nesses 4 anos muita coisa mudou e parece que absolutamente nada é como era antes, como se "crescer", que já não tinha sido muito lento e gradual comigo, se tornou mais abrupto ainda.

"Felizmente" a vida já havia me preparado para isso antes e o inferno é só um caminho transitório. Não há choro que lave a alma disso. Hoje eu devo admitir mais do que qualquer outro dia - a saudade apertou muito.

Espero muito que, onde quer que a senhora esteja, esteja bem e rodeada das pessoas as quais você esperou tanto para rever.


Eu te amo, mãe.

Se hoje você perde o pão, é para lembrar como é sentir fome.
Se hoje sofre com uma injustiça, é para lembrar de sempre ser justo.
Se sofre com a mentira, é para lembrar que se deve sempre ser verdadeiro.

Tudo gira em torno de um aprendizado... Ou de um simples lembrete, para não esquecermos a dor de ontem. Mas e o que eu sinto hoje? Um misto de vazio e falta de direção... Um modelo de dia para ficar em branco. Onde eu acho o lembrete de hoje? Não quero encarar como uma prova, mas não sei se posso encarar como uma casualidade. O mundo não é casual.

Eu vejo como o princípio de dualidade que isso sugere, e por isso eu sinto medo para ter coragem de passar por hoje, eu sinto a dúvida para acreditar na conclusão, eu sinto vontade de fugir, para saber que quero ficar.

Hoje é só mais um dia, eu tento e vou me convencer disso. Como todos os outros dias, não vale a pena atribuir nada a um momento específico, se não distribuir toda essa carga ao longo dos anos, vai ter que aguentar todo o peso mais forte, de uma só vez, em uma só data.

Tenho fome de uma justiça que minhas mãos não podem fazer
Tenho fome de palavras que minha boca não pode pronunciar
Tenho sede de ideias que eu não consigo beber
Tenho mais fome do que qualquer alimento pode saciar

Tenho sido mais que um paradoxo, tenho sido intragável até para mim mesmo
O espelho reflete o produto de tudo aquilo que perdi, que não precisava ser construído
e mesmo assim, eu tentei construir.
O espírito antigo e imortal cede quando a carne se fraqueja no valor espúrio
no bambeio da perna ante ao mundo real.

A vida é feita de escolhas

Parece que nunca há o amanhã. Sempre alcanço as madrugadas, mas nunca chega o sono.
É como se todo dia a aurora da vida se apresentasse, eu pudesse ainda contemplar o meio dia, mas nunca o crepúsculo...
As ideias gritam, as vezes tenho lapsos e acordo fazendo qualquer coisa, e nem sequer lembro como cheguei ali. É uma fuga de qual realidade?
A fragilidade de uma alma consiste em que? Na relação social que aquele ser estabelece, se moldando pelos exemplos da infância e assumindo os postos daquilo que ele vê, na esperança de se integrar e ser notado, ou de se integrar e sumir de vez?
E quem nunca se encaixa? E quem faz de tudo, para nunca parece inútil? E é tachado de qualquer coisa?
Eu ouço as corujas e me pergunto o que elas pensam sobre amanhã.., Eu vejo minha cachorra e me pergunto se ela fica feliz em me ver, ou se está feliz por não ter que ficar sozinha. Até me pergunto o que ela sonha quando a vejo tremendo a noite.
Meu colchão é de uma cama de concreto, meus olhos são lentes de vidro, meus dedos são pequenos para o tanto que quero dizer.

As vozes são infinitas.

Eu não quero mais estar aqui

Tudo dói. Andar, comer, falar, respirar.
Meus olhos doem quando acordo, quando ando para a luz do dia e até mesmo quando os fecho, cansados.
Meu peito queima, minhas pernas ardem e minhas costas se tornam inflexíveis. Tudo é um tipo de dor. Minha mente dói.

Meu nariz registra cheiros que me lembram de sensações e eu logo abstraio o concreto. Há dor nisso: a dor está em paradoxar, e o corpo não entende o toque e por isso ele dói. Ele transforma um possível carinho, numa sensação de dor num nível tolerável.
Pensar na dor, estranhamente, não dói. Lembrar dela sim, mas pensar nela não. Me dá um vazio. Eu sinto dor quando as lágrimas ardem meus olhos, ou então quando as sinapses me eletrocutam o cérebro. Pensar muito me fortalece enquanto me deixa fraco.

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