Parece que ontem eu estava com você, desenhando na sala e rindo de coisas sem sentido.
Já se passaram 15 anos, uma vida inteira. Hoje eu sinto mais ainda o peso da responsabilidade sobre os meus ombros e mesmo assim não me incomodo, aprendi a não correr diante de um desafio. São os desafios que nos movem, não é?
A tua lembrança me pertuba, e só nós sabemos das promessas feitas de joelhos num chão que não é menos do que tortuoso e em uma sala opressora onde eu insisto em não querer sair.
Até onde a gente leva isso tudo nas costas? Até quando a gente aguenta sentir uma dor que sabe que nunca vai passar?
O espelho me trai as vezes, ou talvez seja a vista. Essa duvida das coisas me faz tremer às vezes e penso que não é isso que você quer para mim nesses dias atuais, onde o nosso sangue parece não importar. Nossa espada brilha pra sempre sagrada junto ao nosso escudo e quem é alguém para nos despir delas?
Sei que você nunca vai ler o que estou escrevendo, mas talvez ouça enquanto eu penso e, se não, talvez quando eu grite.
Mais um ano sem você, o tempo passa e nada se torna mais fácil, mas já me decidi e não deixar nada se tornar mais dificil. Agora, honrando quem nós somos e o que somos, contemplando o que construímos e sentindo a tua mão, não como um peso mas como uma lembrança de tudo que eu sou, digo que as lágrimas vão continuar existindo, mas sempre carregadas de júbilo e saudade, sabendo que você sorri enquanto você me vê.
Hoje, sou uma estrela e você é meu universo. Toda vastidão dos seus olhos são janelas para que eu possa me encontrar e achar meu mundo.
Serei eternamente o Nícius. Serei eternamente o Ferraz.
E, em meu nome e POR seu nome, serei sempre o Vinícius Ferraz, pois há um tempo tinha uma espada e era um guerreiro mas agora tenho um propósito e com certeza serei herói.
Pela tarde cinzenta em você se foi.
Por você, Jorge Ferraz. Por nós.
Eu te amo, Pai.
Postado por
Marvin
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