As teias que me prendem vivem,não mais pelos cantos, agora me comem cru
Patas que me tateiam e me prendem à ferrões que veneno me injetam, dor.
Sinto, passo a passo, a dor se espalhando. Jorros de risos invadem os meus ouvidos
as palavras rodam, me consomem e as sombras dançam. Me lembram velas.
As chamas que bailam sobre os corpos mal iluminados, se retorcendo à mais leve brisa
de ciume e paixão, agora ardem forte sobre a minha carne e a consciência...
Fétida consciência que não me digere a simples menção da prisão, a tortura que dilacera o corpo.
Mas não a alma, que é inquebrantável e jamais pode ser dobrada. Assim como a montanha que jamais se curva ao vento.
O vento, aliás, me lembra o conhecimento: sempre vindo sabe-se lá de onde, com direção desconhecida e com força espantosa. Força amuscular, que transcende o conhecido que temos entre o céu, a terra, os mares e atrás dos olhos.
Olhos, que tanto usei para ver o verde dos campos, o marrom da terra molhada e o falso azul do céu. Olhos com os quais comi, vivo, meus interesses e olhos os quais fechei de medo diante da verdade, por vezes.
Por vezes, por vezes me peguei pensando em nada senão em tudo. Fui além do misterioso universo de dúvidas, busquei algo a que pudesse me agarrar e foi então que percebi: não nos agarramos à perguntas, mas sim as respostas que agarram a nós.
Nós, uma palavra que muito demorei para entender, mais ainda para aceitar e hoje penso que não vivo sem ela. Assim é a minha droga, o meu benviver e a minha saudade de tudo, que foi vazio e se encheu. Tudo, que foi dos extremos lacrimais. De Tudo, que restou a mim e que só isso poderei levar para onde quer que eu vá.

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